Nota
Pública - Marcha da Maconha em Curitiba
Com extremo pesar, acabamos de ler a informação
de que o Ministério Público suspendeu a realização
da Marcha da Maconha em Curitiba, que seria realizada neste
domingo, dia 4 de maio, com concentração no
Largo da Ordem. Justamente após termos declarado, em
diversos veículos de comunicação, o bom
tratamento que estávamos recebendo das autoridades
judiciárias e policiais do estado do Paraná.
Em momento algum, durante a via crúcis de ofícios
e autorizações, foi questionada a legalidade
de tal evento, e acreditávamos que a Marcha ia ocorrer
sem incidente algum, a exemplo do ano passado, quando 100
pessoas marcharam, de forma ordeira e pacífica, pelas
ruas da capital paranaense.
Não sabíamos que corria este processo
no Ministério Público, e já havíamos
procurado o órgão anteriormente para dialogar,
mas nossas ligações e pedidos não foram
retornados. Porém, como declaramos desde o início,
nossas atividades correm dentro da legalidade, e, respeitando
o Estado Democrático de Direito, a Marcha da Maconha
em Curitiba está CANCELADA. Pedimos a todos os que
iriam participar que não compareçam, no domingo,
no local supracitado, pois não haverá a marcha.
Avisem seus amigos, parentes e quem mais puderem. O coletivo
Marcha da Maconha não se responsabiliza caso alguém
deseje marchar, à revelia da decisão judicial.
Mas, alertamos que todos aqueles que assim procederem estarão
incorrendo em crime de desobediência judicial. Portanto,
se você não pretende se complicar, pedimos que
não compareça. Devemos respeitar as leis, mesmo
que elas nos atinjam profundamente. Existem outros campos
de batalha, e devemos estar limpos, conscientes e preparados
para atuar neles também.
Refutamos, veementemente, a tese de associação
para o tráfico, e as especulações de
que existiriam grupos de narcotraficantes patrocinando a Marcha.
Esta afirmação, além de infundada, é
um desrespeito à inteligência dos paranaenses.
Não vemos nenhum motivo para o tráfico de drogas
estar interessado na legalização da maconha.
É como a Microsoft patrocinar um evento de software
livre, guardadas as devidas proporções. Inconcebível
e contraproducente. Este movimento conta com a participação
de doutores, profissionais liberais, estudantes e professores
universitários, advogados, políticos e mais
uma porção de gente de bem, produtiva e trabalhadora,
bons cidadãos, que só querem dialogar, com amplos
setores da sociedade, por uma nova legislação
referente à maconha, por entender que a atual é
falha e gera mais danos que benefícios à população.
Mais uma vez, esclarecemos que será respeitada
a ordem judicial por parte do Coletivo Marcha da Maconha.
Porém, devido ao grande número de pessoas que,
por conta desta polêmica, tomaram conhecimento da marcha,
não podemos evitar que, por ventura, alguém
tente se manifestar. Não compactuamos com as pessoas
que comparecerem no domingo, nem somos responsáveis
pelos seus atos.
Agradecemos a atenção de todos aqueles
que, aqui em Curitiba, nos ouviram, nos atenderam tão
dignamente, e lamentamos profundamente que, mais uma vez,
na história deste país, a Constituição
tenha sido atropelada em benefício daqueles que não
buscam o diálogo, e sim o enfrentamento.

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